O livro e o confronto entre medias

Estudos Contemporâneos em Design
Docente: Vitor Almeida

Exercício: Reflexão escrita sobre a conferência “art and politics of processual publishing” de Alessandro Ludovico

No campo editorial existem duas dimensões completamente diferentes, o formato digital e o formato tradicional do papel.

Há cerca de 600 anos atrás os livros impressos revolucionaram o mundo. Desde então, o livro impresso cultivou a nossa cultura, imaginação e processo intelectual com o poder de compartilhar e dar forma às ideias.

Atualmente a tecnologia disponibiliza-nos um novo media – digital – que mudou radicalmente a nossa forma de acessar e ler a palavra escrita.

Os benefícios de cada um dos media são muito diferentes. No papel, através dos sentidos como a audição, o cheiro e o tacto, estabelecemos uma ligação emocional com o livro. Existe uma sensação de pertença porque falamos de algo físico. Ao expormos parte de nós no livro (e.g. escrevemos notas à mão, colocamos as nossas impressões digitais, deixamos cair uma lágrima no papel) tanto fisicamente como psicologicamente, ele torna-se um pouco de nós. Se quisermos emprestar ou dar esse livro, estaremos a dar algo de nós também, sendo, portanto, uma atividade de partilha emocional.

No digital, a experiência do usuário tende a ser bastante “pobre” no sentido que é privada de benefícios culturais e sociais. Aqui não existe uma experiência sensorial rica, mas sim algo mais mecânico e individualista. No entanto, existem outros benefícios como o preço, que é mais reduzido; o espaço, podemos guardar milhares de livros apenas num dispositivo; a portabilidade, podemos transportar connosco facilmente; e ainda a facilidade de acesso. Mas será que estes benefícios são realmente benéficos para o indivíduo como ser colectivo?

A era digital tornou-se uma época em que tudo pode ser massificado, incluindo as relações humanas. Através das novas tecnologias, podemos comunicar com centenas de pessoas ao redor do mundo sem precisarmos de estar fisicamente com elas. No entanto, a natureza destas relações deixou de ser mais emocional para passar a ser mais mecânica, isto porque deixou de ser uma experiência sensorial. Tornámos-nos mais individualistas.

Alessandro Ludovico, estudioso e crítico na área dos media e editor-chefe da revista Neural, nascido a 1969, explora estes dois medias na publicação. A sua maior preocupação é questionar o facto de estarmos a pensar num modo binário, em que separamos as duas dimensões uma da outra. Neste sentido, ele questiona a possibilidade de criação de um novo media que englobe as duas dimensões, podendo tirar proveito dos seus benefícios.

A junção dos dois medias pode ser a solução para o problema. No entanto esta parece ser uma solução longínqua e difícil de alcançar. A qualidade em ambos os media deve ser mantida e explorada de forma a tirarmos o maior proveito de cada um, isto é, ter o melhor papel, a melhor capa, a melhor textura, a melhor tipografia, a melhor conjugação de elementos, entre outros, de forma a que a experiência do leitor seja mais profunda e natural. Talvez consigamos pensar numa forma de navegar entre estes dois medias de forma intuitiva, de tal forma que estes se interliguem e passem a ser dependentes um do outro.

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About Sofia Gralha

Currently studying for Master of Design Communication and New Media in Faculty of fine Arts at Lisbon. Available for freelancer jobs! Worked as Visual Communication Designer and Designer Chief on a marketing company at Guarda, Portugal - Plataforma Jota, for almost 3 years. Finished the undergraduate of Communication and Multimedia Design in College of Education of Coimbra, Portugal, at 2012. Attended the Erasmus Mobility Program in University of Portsmouth, UK, during 4 months. Held a internship in Menina Design Group at Porto, Portugal, during 3 months.

2 comments

  1. Alguns erros:
    Há cerca
    media – digital —
    (e.g. em vez de (ex.
    é questionar o facto de estarmos a pensar
    na escrita evita o ‘etc.’, substitui por ‘entre outros’

    Muito bem.

    Há um livro que complementa esta informação:
    “This is Not the End of the Book: A Conversation”, de Umberto Eco e Jean-Claude Carrière (editado por Jean-Philippe de Tonnac).

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  2. Dizes que “No digital, a experiência do usuário tende a ser bastante “pobre” no sentido que é privada de benefícios culturais e sociais”. Não concordo. Terás de sair do modo binário para verificar que a experiência do digital tem permitido expandir conteúdos e accionar mecanismos que a publicação impressa não operacionaliza.
    O modo como podemos olhar para a publicação híbrida terá de ser de grande disponibilidade experimental e, por essa via, definir as formas de expandir o conteúdo através do processo editorial e da multiplicidade de difusão ao alcance dos meios digitais.

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