O Sequestro das Ruas – Manifesto

Estudos Contemporâneos em Design
Docente: Vitor Almeida

Exercício: Elaboração de um Manifesto em forma de cartaz com base no artigo “White Night – Before A Manifesto” de Metahaven, 2008.

Manifesto

Poster Sequestro das Ruas

 

Todos os dias ao sair de casa somos violentados por uma enorme quantidade de ruído visual que afasta a nossa atenção da beleza da arquitectura, do céu, das pessoas, obrigando-nos a ler todos os dias os slogans de auto-promoção, os nomes que as empresas se deram a si próprias em superfícies que gritam, mais do que comunicam. É a ditadura da imagem, das letras, que não conseguimos deixar de ver ou ler, assim como
não é possível deixar de ouvir.

A utilização das superfícies pela publicidade substitui gradualmente a estrutura histórica da cidade e o seu território.  Esta estrutura fica “oculta” aos olhos da sociedade.

O espaço público serve assim de meio para o benefício privado. As marcas apropriam-se de fachadas, de edifícios históricos e de espaços abertos, para que possam publicitar os seus produtos e a si próprias. Este processo é um negócio feito maioritariamente entre as grandes marcas e os proprietários dos edifícios, sendo inexistente a apreciação da sociedade. É um sequestro do espaço público por parte das empresas.

O benefício privado do uso do espaço público deveria reverter também para o da sociedade.

Em geral, o design criado para o uso de superfícies esquece a vasta tradição artística, cultural e política da nossa profissão. O design de superfície é realizado sem complexidade ou regras políticas. O seu propósito é meramente comercial.

A economia de mercado em geral não produz para satisfazer necessidades, mas sim para obtenção do lucro e ampliação económica.

Foto_cartaz-3

Detalhe do Poster Sequestro das Ruas

 

No papel de designers devemos comunicar diretamente com a sociedade, sendo o fruto do nosso trabalho criar matérias e artefatos com valor cultural e crítico. É necessário estimular a sociedade ao pensamento crítico e incutir valores políticos, sendo o design um caminho para o fazer. A sociedade sabe quais os seus interesses embora não os coloque em prática.

O objetivo é reverter o processo “antinatural” existente na economia que confronta o interesse das maiorias. Como designers comunicamos diretamente com a sociedade, sendo o fruto do nosso trabalho criar para estas maiorias. O interesse individual está inserido no interesse coletivo. Ainda é possível fazermos um design para massas, com um interesse maior que o comercial, já que o bom design não deve ficar restrito a pequenos círculos porque o design é por si só uma atividade social.

O design é a nossa profissão e um elemento fundamental na construção do conjunto da sociedade, contudo não é um aspecto que funciona individualmente, mas sim em conjunto com outros fatores que não podemos ignorar.

Exigimos uma cidade das pessoas, tanto como indivíduos como coletivo: um espaço que não seja só de passagem, mas de estadia, de viver no amplo sentido do termo. Queremos ter lembranças com os nossos amigos e famílias nas ruas, em calma, sem pressas, sem ter um destino. Queremos desacelerar o espaço comum, queremos ter lugares para ficar mais além do espaço privado dos nossos lares. Perguntamos-nos: é isto possível numa cidade com passeios e estradas cheias de buracos, cheias de lixo, de ruído visual e acústico e sem espaço para usufruir?

É por isso que a nossa cidade está a ficar vazia. Lisboa tem menos população do que nos anos 30. As famílias estão a movimentar-se para os arredores da cidade deixando as habitações da mesma vazias e livres para o negócio do turismo.

Foto_cartaz_2

Detalhe do Poster Sequestro das Ruas

 

E isto não é contra os turistas. Não que as nossas ruas não fiquem mais ricas. A diferença de espírito entre o turista e o morador da cidade é visível. E não é porque os primeiros estejam invulgarmente pletóricos, mas porque há uma tristeza instalada nos corações dos portugueses e dos imigrantes. É também importante refletir: como é possível que zonas inteiras da cidade fiquem vazias de moradores nativos e se encham de hostels privados e lojas de presentes para turistas? O turismo é mais uma atividade económica para o pais, mas não deveria ser a única. E nós, designers, temos de ter uma opinião própria na defesa dum desenvolvimento dum modelo de pais diferente. Porque não queremos uma “cidade resort”, queremos uma cidade autêntica.

Queremos que nos devolvam a cidade!

Sofia Gralha

Álvaro Trabanco

Beatriz Ramos

Lisboa, Outubro 2015

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About Sofia Gralha

Currently studying for Master of Design Communication and New Media in Faculty of fine Arts at Lisbon. Available for freelancer jobs! Worked as Visual Communication Designer and Designer Chief on a marketing company at Guarda, Portugal - Plataforma Jota, for almost 3 years. Finished the undergraduate of Communication and Multimedia Design in College of Education of Coimbra, Portugal, at 2012. Attended the Erasmus Mobility Program in University of Portsmouth, UK, during 4 months. Held a internship in Menina Design Group at Porto, Portugal, during 3 months.

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